Quando foram as ultimas ferias que passaram juntos?
BERGER: No verão brasileiro anterior. Eu o visitei em Angra, onde ele tinha uma casa.
Quando compara a F-1 de hoje a de dez anos, vê diferenças marcantes?
BERGER: Na parte técnica há muitas diferenças. O grau de segurança é muito maior do que há dez anos. Hoje, a F-1 é um esporte muito menos perigoso que na época de Senna. Mas o esporte é o mesmo.
Quais as semelhanças entre Senna e Schumacher?
BERGER: Em comum, o mesmo talento sensacional para a corrida e o sucesso em tudo. Nas personalidades, vejo uma diferença marcante. Schumacher é um piloto talentoso, mas como pessoa é apenas normal. Já Ayrton Senna foi a pessoa mais especial que conheci na vida, o seu carisma era extraordinário. Uma pessoa especial com um carisma enorme. Não só pelo fato de ele ter sido meu amigo, digo hoje que Ayrton Senna é inatingível.
O que mudou na antiga Ferrari para a de agora?
BERGER: A Ferrari começou com Jean Todt uma era muito mais profissional do que antes. Toda a equipe é mais profissional, naturalmente também Michael Schumacher.
Qual a equipe que pode bater a Ferrari?
BERGER: Vai chegar em breve o tempo de a Ferrari ser vencida. Os próximos GPs serão vencidos pela Ferrari. Mas espero que a Williams e a Renault vençam no futuro próximo.
Fonte: ESPORTE NA GLOBO
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Sábado, Abril 24, 2004
Nosso tri-campeão mundial de Fórmula 1, nasceu em São Paulo, Brasil em 31 de Março de 1960. Foi diversas vezes campeão brasileiro e sul-americano de kart, 2 vezes vice-campeão mundial de kart, campeão inglês e europeu de Fórmula Ford 1600 e Fórmula Ford 2000, Campeão Mundial de Fórmula Ford, Campeão Inglês de Fórmula 3, Tri-Campeão Mundial de Fórmula 1 e recordista absoluto de poles até os dias de hoje com 65, além de 41 vitórias, onde perde apenas para Alain Prost e agora, Michael Schumacher. É considerado o piloto mais rápido de todos os tempos no automobilismo mundial.
Sexta-feira, Abril 23, 2004
[ 2 ] por berger fala de senna com o IP: 201.79.133.239 [ responder ]
Se voltasse atrás, teria optado pela carreira de piloto?
BERGER: Sem dúvida. Trata-se da carreira mais apaixonante para um homem jovem.
Senna demonstrou nos últimos dias de vida preocupação sobre a pressão de Michael Schumacher, que deslanchou em 1994?
BERGER: Ele nunca mencionou qualquer tipo de receio dos concorrentes, mas admitia que o carro não estava em situação ideal e que não correspondia às expectativas. Mas isso faz parte do esporte. Ele não estava preocupado com a concorrência de Schumacher, mas apenas decidido a ajustar melhor o carro para continuar vencendo.
Ele falava também sobre assuntos pessoais?
BERGER: Nós conversávamos sobre tudo, esporte, vida privada. Ayrton era o meu melhor amigo. O que ele falava de privado eu prefiro não contar, embora também aí não haja nada de excepcional.
Como era ele?
BERGER: Quando ele conhecia bem as pessoas, era muito aberto, divertido, sem complicações. Já com as pessoas que não conhecia bem era mais fechado e difícil.
É possível na F-1 uma amizade livre de competição?
BERGER: Sim, naturalmente há concorrência entre os pilotos. Mas na minha relação com o Senna a amizade era mais forte do que o sentimento de concorrência. Passamos vários anos juntos, nas mesmas corridas, e sabíamos o que podíamos alcançar.
Você se encontrava com ele fora das pistas?
BERGER: Passamos muitas vezes o nosso tempo livre juntos. Eu tinha um navio, e ele viajava com freqüência comigo para a Sardenha, Chipre, onde havia sol. A minha mulher, Ana, é portuguesa e gostava muito de ter um brasileiro conosco nas férias. Mas não conversava com ele em português, mas em inglês.
[ 1 ] por comentários berger com o IP: 201.79.133.239 [ responder ]
GERHARD BERGER: O dia começou normal, como qualquer outro. Fomos juntos ao briefing (reunião dos pilotos), antes da largada. Conversamos sobre a previsão para a corrida e sobre um encontro que deveria ocorrer nas semanas seguintes. Mas não senti, e o Senna também não demonstrou nada de extraordinário.
Soube logo da morte dele?
BERGER: Primeiramente, não. Depois, quando eu estive com ele no hospital, soube que o seu estado era absolutamente grave. Eu estive com ele no momento da sua morte.
Não foi desumano continuar o GP depois da morte dele?
ERGER: Ele não morreu na pista, mas mais tarde no hospital. Achei tudo muito trágico. Mas nesse esporte todos nós contávamos com a possibilidade de que isso poderia acontecer com qualquer um de nos. Se a reflexão fosse essa, a corrida não teria começado, porque no dia anterior morreu no treino o austríaco Roland Ratzemberger.
Como os pilotos sentiram uma tragédia após a outra num fim de semana negro?
BERGER: Não tenho uma explicação. Foi um fim de semana que nunca havia visto antes e nunca vi depois. Não encontro explicação. Já na sexta-feira começou o drama, com o acidente de Rubens Barrichello. Houve acidente no boxe, e os dois acidentes fatais com Ayrton e com Ratzenberger. Foi um fim de semana negro.