[ 2 ] por vitimas de acidentes parte2 com o IP: 201.79.133.239 [ responder ]
em 2007-02-15 às 23:02:52
ACINDENTE OU FATALIDADE? Muita gente confunde acidente e fatalidade, achando que são a mesma coisa quando são acontecimentos totalmente opostos.
Acidente é aquilo que não se pode prever ou antecipar. Já a fatalidade é aquilo que é inevitável. Um acidente acontece sem aviso enquanto a fatalidade, sabemos todos, acabará acontecendo mais dia, menos dia.
A morte de Ayrton Senna, em 1º de maio de 1994 durante o GP de San Marino, em Imola, combinou da forma mais perversa e dolorida elementos de acidente e fatalidade.
Como entender que uma emenda em uma coluna de direção, executada pela presumivelmente mais competente equipe de engenheiros e mecânicos da categoria mais tecnicamente sofisticada do automobilismo mundial, poderia se romper em meio a uma curva de alta velocidade? Quem poderia imaginar que o impacto resultante se produziria num ângulo tal a lançar para o alto uma roda presa a uma haste de suspensão que, em dezenas de outras circunstâncias, entraria por debaixo do carro? E quem poderia prever que a haste da suspensão, afiada como um punhal, encontraria o caminho até a borda da viseira do capacete que, naquele dia exato, fora selecionado por seu usuário exatamente por oferecer uma viseira um pouco maior do que o normal?
Temos aí os elementos próprios do acidente. Onde estão os da fatalidade?
Na semana seguinte à morte de Senna, contei, sem maiores esforços, 24 acidentes graves entre 1987 e 29 de abril de 1994, em testes e corridas. A saber:
[ 1 ] por vitimas de acidentes parte 1 com o IP: 201.79.133.239 [ responder ]
em 2007-02-15 às 23:02:32
- Nelson Piquet, Imola, Curva Tamburello/87 - Phillipe Alliot, México/88 - Philip Streiff, Brasil/89 - Maurício Gugelmin, França/89 - Gehard Berger, Imola, Curva Tamburello/89, Brasil/93 e Portugal/93 - Martin Donelly, Espanha/90 - Derek Warwick, Monza/90 e Alemanha/93 - Senna, México/91 e 92 e Alemanha/92 - Michelle Alboreto, Imola, Curva Tamburello/91 - Erik Comas, Alemanha/91 - Riccardo Patrese, Imola, Curva Tamburello/92 e Portugal/92 - Christian Fittipaldi, Monza/93 - Alessandro Zanardi, Bélgica/93 - Michael Andretti, Brasil/93 - J.J.Lehto, Silverstone/94 - Jean Alesi, Mugelli/94 - Eddie Irvine e Jos Verstappen, Brasil/94 - Rubens Barrichello, Imola/94.
Vinte quatro acidentes, dois deles resultando em ferimentos mais graves (Streiff e Donelly), a maioria ficando apenas no susto, quatro deles na mesmíssima curva que acabaria por cobrar a vida de Senna.
Nada, ou quase nada, se fez para incrementar a segurança no período. A ausência de vítimas fatais difundiu uma falsa sensação de segurança, iludindo a Fórmula 1, fazendo-nos crer que poderia haver automobilismo esportivo livre de mortes.
De tanto flertar com esta idéia, de tanto dançar a beira do abismo, de tanto jogar com o perigo, colheu-se uma tempestade inteira no espaço de 24 horas. Primeiro, Roland Ratzenberger, depois Ayrton Senna.
Era fatal, não mais do que fatal, que isso acabasse por acontecer. Os sinais estavam lá o tempo todo mas, cegos pela velocidade, não conseguimos vê-los.